O q sou é infinitamente + importante do q o q tenho !
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Vislumbro tua imagem na penumbra Acesa como um círio, pela luz da lua... Vertidas juras tivemos pouco antes Em que disseste a mim "quero ser tua"!
E ao olhar-te agora, qual etéreo anjo, Na penumbra do quarto, frente à janela, Saciados todos os nossos desejos, Iluminada pela lua, como estás tão bela!
Alheia a tudo, te delicia a madrugada, Te envolve a brisa, que sopra com carinho Enciumado, pressinto que de mim não lembras, Te entregas à aurora, me deixas tão sozinho...
Me levanto do leito e vou ao teu encontro, Reacender a centelha num abraço quente.... Num frêmito entregas tua boca à minha,
Ferve meu sangue, tu me deixas tonto... Delírio e fogo, e num grito latente, A penumbra nos cobre... e o dia se avizinha... * MÍRIAN WARTTUSH *
Esta chama voraz que arde em meu peito Me atordoa, me embala, me agita no leito, Em pseudos e doces espasmos de dor... É dor saborosa, que leva à loucura, Que acalma, aquece, entorpece, tortura, Insolentes e castos eflúvios de amor...
Que são estas ondas tão incoerentes, De sons e de cores, fortes, envolventes, De tantos sabores paradoxais? Serão os sentidos que estão me enganando, Ou apenas os sonhos que vão me embalando, Em meus dias maduros... tristes... outonais
Confesso...
... é o grito, o brado, o clamor, a explosão, Louco sentimento mesclado em paixão, Que sinto por ti e é tão delirante... Que só se acalma quando adormeço E do mundo, da vida, das dores esqueço, No pouso encantado de teu peito amante...
A noite fora longa, escura, fria. Ai noites de Natal que dáveis luz, Que sombra dessa luz nos alumia? Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…» Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia, De joelhos me pus E as mãos erguia. Comigo repetia: «Meu Jesus…» Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz, Onde a vossa alegria? Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…» E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria, Sobre a terra caiu, como um capuz Que a engolia. Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
Quando colhi o beijo longo e doce, O seu primeiro beijo de menina, A minha alma, num êxtase, ajoelhou-se, Transfigurou-se, envolta em luz divina!
Tão Linda! A mão, como se um lírio fosse, Após o adeus, de longe, alva e franzina, Desfolhava-se em beijos... E acabou-se Tudo entre prantos! Era minha sina.
Na luminosa quadra dos amores, De seio em seio andei colhendo flores, Mas ninguém como aquela foi querida!
Do fundo da saudade ela me acena! O amor por essa que era tão pequena Foi o maior amor de toda a minha vida!